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É possível que o maior prédio moderno de tijolos comprometido com a verdade dos materiais, seguindo a filosofia de Isaac Ware, seja a Baker House, a hospedagem estudantil construída entre 1946 e 1949 no Massachusetts Institute of Technology (MIT) por Alvar Aalto. Numa construção de forma alongada e ondulante, os quartos dos alunos oferecem vistas diferentes, mas sempre interessantes do rio Charles. AS paredes curbas são feitas de tijolos num estudado estilo “primitivo”. Eis aqui como Aalto descreveu seu método de construção: “Os tijolos foram feitos de argila extraída da crosta do solo exposto ao sol. Foram cozidos em pirâmides montadas à mão, usando exclusivamente carvalho como combustível. Erguida a parede, os tijolos eram aprovados sem serem separados, e em consequência a coloração muda do preto para o amarelo canário, embora o matiz predominante seja um vermelho vivo”. Esta maneira artificialmente tradicional de fabricar tijolos parece fechar o círculo em nossa história. Aalto frisa bem a “honestidade” de seu trabalho imprimindo uma marca na superfície da parede: a certos intervalos, aparecem tijolos retorcidos ou escurecidos por excesso de cozimento, levando o observador a ver de uma nova maneira os tijolos normais; o contraste ressalta o caráter de ambos. Somos, assim, levados a pensar sobre o que é o tijolo - uma reflexão a respeito do material que talvez não nos ocorresse de todos os tijolos fossem uniforme e impertubavelmente perfeitos.

SENNETT, R. O Artífice. 2011.
Não sei porque… mas acho que, em algum momento, o que Aalto fez foi um estupro ao patrimônio imaterial relacionado à fabricação dos tijolos. As frases do arquiteto demonstram que o discurso é mais importante do que a arquitetura em si. Um discurso que faria Ruskin se revirar no túmulo.

É possível que o maior prédio moderno de tijolos comprometido com a verdade dos materiais, seguindo a filosofia de Isaac Ware, seja a Baker House, a hospedagem estudantil construída entre 1946 e 1949 no Massachusetts Institute of Technology (MIT) por Alvar Aalto. Numa construção de forma alongada e ondulante, os quartos dos alunos oferecem vistas diferentes, mas sempre interessantes do rio Charles. AS paredes curbas são feitas de tijolos num estudado estilo “primitivo”. Eis aqui como Aalto descreveu seu método de construção: “Os tijolos foram feitos de argila extraída da crosta do solo exposto ao sol. Foram cozidos em pirâmides montadas à mão, usando exclusivamente carvalho como combustível. Erguida a parede, os tijolos eram aprovados sem serem separados, e em consequência a coloração muda do preto para o amarelo canário, embora o matiz predominante seja um vermelho vivo”. Esta maneira artificialmente tradicional de fabricar tijolos parece fechar o círculo em nossa história. Aalto frisa bem a “honestidade” de seu trabalho imprimindo uma marca na superfície da parede: a certos intervalos, aparecem tijolos retorcidos ou escurecidos por excesso de cozimento, levando o observador a ver de uma nova maneira os tijolos normais; o contraste ressalta o caráter de ambos. Somos, assim, levados a pensar sobre o que é o tijolo - uma reflexão a respeito do material que talvez não nos ocorresse de todos os tijolos fossem uniforme e impertubavelmente perfeitos.

SENNETT, R. O Artífice. 2011.

Não sei porque… mas acho que, em algum momento, o que Aalto fez foi um estupro ao patrimônio imaterial relacionado à fabricação dos tijolos. As frases do arquiteto demonstram que o discurso é mais importante do que a arquitetura em si. Um discurso que faria Ruskin se revirar no túmulo.

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